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A Importância do Fluxo de Caixa

A armadilha do curto prazo: como um caso real envolvendo a antiga CPMF mostra que, na gestão financeira, o controle rigoroso do fluxo de caixa vale mais do que rendimentos ilusórios

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Uma ilustração 3D conceitual e realista sobre a gestão do fluxo de caixa. No centro, um grande e elegante livro-caixa aberto (ou um tablet exibindo gráficos financeiros) repousa sobre uma mesa de escritório de madeira. De um lado das páginas, uma pilha crescente de moedas de ouro brilhantes representa as sobras de caixa e os rendimentos. Do outro lado, um pequeno funil ou ralo sutil suga parte dessas moedas, simbolizando os custos ocultos, impostos (como a CPMF e o IOF) e o desperdício de recursos mal geridos. Uma lupa repousa sobre a tela/página, destacando a importância da análise detalhada. O fundo é um ambiente corporativo levemente desfocado, transmitindo seriedade, estratégia e visão de futuro. Estilo editorial moderno e de alta qualidade. Alta resolução, proporção 16:9 (820x468)

Certa vez fui admitido em uma empresa, em substituição ao responsável pela área financeira. Revendo as práticas adotadas pelo antigo colaborador, notei que todas as sobras de caixa eram aplicadas diariamente. Bem, em épocas de juros altos – e quando eles não estiveram altos no Brasil? – nada mais lógico.

Ocorre que estávamos em época da chamada CPMF – Contribuição Provisória Sobre Movimentações Financeiras, que incidia sobre saques, transferências e pagamentos, e cuja alíquota era de 0,38%.

Em vista disso, imediatamente mudei a prática, passando a não mais aplicar os recursos desta forma. Na primeira auditoria após eu assumir o cargo, fui advertido de que estava mantendo muitos recursos “parados” em conta corrente. Justifiquei a medida com o seguinte exemplo:

Digamos que eu aplique R$ 1.000.000,00 hoje em um fundo de renda fixa que remunere a taxa de 0,045% ao dia. No dia seguinte meu ganho seria de R$ 1.000.000,00 x 0,045% = R$ 450,00. Imediatamente eu retiro o total da aplicação para efetuar pagamentos.

Ocorre que a tributação do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras é regressiva, portanto, teremos R$ 450,00 x 96% = R$ 432,00. O rendimento líquido será de R$ 18,00 (R$ 450,00 – R$ 432,00).

Sobre o rendimento líquido incide o IR – Imposto de Renda, que tem alíquota de 22,5% para valores aplicados até 180 dias, portanto temos: R$ 18,00 x 22,5% = R$ 4,05.

Após esses cálculos, meu ganho em um dia foi de R$ 13,95 (R$ 450,00 – R$ 432,00 – R$ 4,05).

Como a CPMF de 0,38% incidiu sobre a saída de R$ 1.000.000,00, no dia anterior paguei R$ 3.800,00, portanto essa operação resultou em um prejuízo de -R$ 3.786,05 (R$ 3.800,00 – R$ 13,95).

A CPMF tornava inviáveis as aplicações de curtíssimo prazo, e isso deixa mais evidente a importância do fluxo de caixa na administração financeira de uma empresa. A solução, à época, era, por exemplo, adiantar pagamentos a fornecedores mediante descontos concedidos, o que tinha efeito de um rendimento financeiro.

Hoje, com a graça dos céus, estamos livres desse imposto absurdo que é a CPMF, contudo a importância desse instrumento tão importante que é o Fluxo de Caixa é a mesma. Ao conhecer nosso horizonte financeiro, tendo ciência de futuros superávits ou déficits, podemos gerenciar de forma mais eficaz os recursos. No caso das sobras, escolher as melhores opções de aplicação, inclusive com adiantamento de pagamentos, e no caso da falta, agirmos antecipadamente sem a prática de apagar incêndios, para conseguir recursos com os custos mais baixos possíveis.

ECONOMISTA da ABAC, MESTRE em Finanças, PROFESSOR Universitário e membro do Comitê de Estudos Econômicos da ABAC - Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

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