Economia
Vantagens Absolutas e vantagens Comparativas

O fim maior da economia é o atendimento das necessidades do consumidor. Agentes econômicos, procuram atender às demandas dos consumidores e, claro, obter lucro.
Pode-se colocar nessa discussão questões sociais, emprego, entre outras, mas enquanto disciplina científica, o objeto da ciência econômica é o estudo da sociedade e sua componente econômica. A prioridade é a forma pela qual os recursos são combinados para produzir bens capazes de satisfazer as necessidades dos consumidores. Temas fundamentais para essa discussão são a Teoria das Vantagens Absolutas criada no final do século XVIII pelo pai do liberalismo econômico, Adam Smith, e a Teoria das Vantagens Comparativas, formulada por David Ricardo já no século XIX.
Adam Smith acreditava que as nações podem se beneficiar se especializando na produção daquilo que são mais eficientes, e toda a sociedade sai ganhando com isso.
Hipoteticamente poderíamos comparar o Brasil e os Estados Unidos. Vamos supor que nosso país tivesse uma eficiência de produção, por trabalhador, de 4 toneladas de aço por hora e 1 tonelada de trigo por hora, e os EUA tivessem capacidade de produzir, por trabalhador, 1 tonelada de aço por hora e 4 toneladas de trigo por hora.
Segundo Smith, se o Brasil se especializasse em produzir apenas o aço teríamos, ao final de 10 horas de trabalho 40 toneladas (4 ton. x 10 hs), e os EUA, se especializando apenas na produção do trigo, teriam produzido 40 toneladas do cereal (4 ton. x 10 hs).
Toda a sociedade teria agora 40 toneladas de aço e 40 toneladas de trigo.
Em não havendo a especialização teríamos:
Brasil: 4 ton., de aço x 5 hs. = 20 ton. e 1 ton. de trigo x 5 hs. = 5 ton.
EUA: 1 ton. de aço x 5 hs. = 5 ton. e 4 ton. de trigo x 5 hs. = 20 ton.
A sociedade teria então à sua disposição apenas 25 toneladas de aço e 25 de trigo, ou seja, a sociedade perderia.
David Ricardo foi além e criou a Teoria das Vantagens Comparativas, que leva em consideração o Custo de Oportunidade.
Custo de oportunidade se traduz em “o que eu deixo de ganhar ao fazer alguma coisa em detrimento de outra”. Exemplificando, vamos supor que Brasil e Argentina produzissem as seguintes quantidades de feijão:
Brasil: 1.000 toneladas
Argentina: 200 toneladas
E as seguintes quantidades de milho:
Brasil: 500 toneladas
Argentina: 400 toneladas
Como podemos verificar, o Brasil leva vantagem em ambos os produtos, portanto tem a vantagem absoluta que Adam Smith propaga, e dominaria o mercado. Porém, ao levarmos em conta o custo de oportunidade a conta mudaria. No Brasil o custo de oportunidade para produzir 1 tonelada de milho seria de 2 toneladas de feijão. Já para a Argentina o custo de oportunidade para produzir 1 tonelada de milho é de 0,5 toneladas de feijão, ou seja, segundo Ricardo, o Brasil ganharia mais se focasse sua produção toda em feijão. Na Argentina o foco deveria ser a produção de milho, pois seu custo de oportunidade é menor nesse caso.
O benefício mútuo ocorrerá se os países se especializarem naquele produto onde exista menor custo de oportunidade. O foco deverá ser então priorizar esses produtos, mesmo naquele país que tenha vantagem absoluta em ambos os produtos.
A teoria de Ricardo recebe críticas de muitos economistas por não levar em conta o valor dos produtos, pois aquele país que se especializa no que é mais barato fica em desvantagem, gerando diferenças econômicas.
Com críticas ou não, é preciso destacar que todos os economistas desde os séculos XVIII e XIX, tais como o Adam Smith e Ricardo, passando por Malthus, Schumpeter, Quesnay, Say e tantos outros, até os séculos XX e XXI com Keynes, Hayek, Samuelson e Milton Friedman, deram sua contribuição ao pensamento econômico atual.
A ciência econômica continua a evoluir, porém alguns fundamentos mostram-se sólidos ao longo da história, tais como a lei da oferta e da procura, por exemplo.
