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Os Contra-Argumentos para as Deficiências do EBITDA

Muito além das críticas: entenda o verdadeiro papel do EBITDA na medição da eficiência operacional e por que ele não deve ser analisado isoladamente

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Uma ilustração conceitual em 3D sobre análise financeira. No centro, uma engrenagem grande e polida de metal dourado (representando a operação principal/EBITDA), girando perfeitamente e produzindo moedas brilhantes. Ao redor dela, outras engrenagens menores e de diferentes cores (representando impostos, juros e depreciação) estão separadas, conectadas mas não influenciando o giro da engrenagem principal. Uma lupa gigante foca exclusivamente na engrenagem dourada, destacando a visão específica e o "lucro puro" que o indicador analisa. O fundo é um ambiente corporativo escuro com gráficos de barras sutis em verde neon. Alta resolução, proporção 16:9 (820x468)

O EBITDA – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization, ou, em português, LAJIRDA – Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, é um indicador utilizado para medir a capacidade da empresa em gerar caixa a partir de suas atividades operacionais, servindo ainda como indicador de eficiência operacional.

Para calculá-lo utilizamos as chamadas contas operacionais do DRE – Demonstrativo de Resultados do Exercício, que são aquelas que tem relação com a atividade fim do negócio. Resumidamente pegamos a receita de vendas menos os custos e despesas operacionais, e somamos com a depreciação.

Evidentemente, como próprio nome do indicador diz, não são consideradas receitas e despesas financeiras (interest), os impostos (taxes) a depreciação (depreciation) e a amortização (amortization)

No demonstrativo a seguir temos um exemplo dessa separação:

Note que o “Lucro 1” deixa para baixo as despesas e receitas financeiras, os impostos (IR e CS) e as contas que não tem relação com a atividade fim da empresa (Equivalência patrimonial e venda de ativos). Mas, ainda falta tirar o efeito de depreciação neste resultado, que está logo abaixo do CPV, no valor de R$ 15.000. Lembrando que depreciação não influi no caixa.

O valor do EBITDA nesse caso seria:

EBITDA = Lucro 1 + Depreciação

R$ 162.390 + R$ 15.000 = R$ 177.390

Ao apurar esse “lucro puro” estamos apontando que a empresa tem capacidade de gerar R$ 177.390 no período, apenas com sua atividade fim. Digo “apenas”, pois existem outras formas de gerar caixa fora da operação. No exemplo dado, houve geração de caixa com receitas financeiras e venda de ativos, mas se queremos medir a capacidade de geração de caixa a partir da operação pura, não podemos evidentemente considerar essas receitas.

Outro aspecto é que para medir a eficiência, só podemos levar em consideração aquilo que tem a ver com o negócio, ou seja, uma empresa foi feita para gerar lucros a partir de seu produto e serviço, e receitas e despesas financeiras, receitas e despesas que não são da operação e impostos, não podem entrar no cálculo. Não podemos medir a eficiência do chão de fábrica colocando nessa equação receitas financeiras, por exemplo, pois um operário não aplica o dinheiro da empresa, ele apenas participa da fabricação do produto.

Feita essa breve explicação do indicador, vamos para as principais deficiências apontadas para ele:

  1. Não é Fluxo de Caixa: Um EBITDA alto não significa dinheiro em caixa, pois ignora variações no capital de giro (estoques, contas a receber/pagar).
  • Ignora o Investimento (Capex): Empresas com alta necessidade de renovar máquinas (depreciação) podem parecer saudáveis, mas na verdade consomem caixa para sobreviver.
  • Mascara o Endividamento: Ao ignorar juros, uma empresa muito alavancada (endividada) pode mostrar um bom resultado operacional enquanto o lucro líquido é negativo.
  • Não Considera Impostos: A exclusão de impostos ignora um custo real e obrigatório, distorcendo a rentabilidade final.

E agora vamos para os contra-argumentos para essas deficiências:

  1. Não é Fluxo de Caixa: claro que não é, e nem pretende ser, pois quando falamos em capacidade de gerar caixa a partir de seu negócio fim, estamos analisando apenas essa capacidade e não se o dinheiro vai entrar no caixa ou não. Uma DRE é elaborada a partir de receitas e despesas contabilizadas em regime de competência, ou seja, se uma mercadoria é vendida sua receita é reconhecida no momento da venda. Se a fatura vencerá daqui a meses a análise é outra, pois envolve prazos médios de recebimentos, de pagamentos etc.
  • Ignora o Investimento (Capex): investimentos não entram na elaboração do DRE. Evidentemente se a empresa tem alta necessidade de renovar suas máquinas, precisa analisar a composição e a forma de financiar seu ativo, e a análise do EBITDA não tem nada a ver com isso. Volto a frisar que o indicador mede a eficiência da operação e a capacidade de gerar caixa a partir de sua atividade fim.
  • Mascara o Endividamento: ela só teria esse efeito se o gestor financeiro não tivesse um rigoroso controle das dívidas da empresa. Seria como se ele só enxergasse a árvore e não a floresta.
  • Não considera impostos: sim, não considera mesmo, pois não posso medir a eficiência de uma operação considerando um fator, como o próprio nome diz, que é “imposto” à empresa. Mas, isso não que dizer que o gestor financeiro, o controller ou quem quer que seja o responsável pela administração não tenha domínio sobre esse fator também.

Em resumo, o EBITDA é um bom indicador, mas deve ser utilizado em conjunto com outras análises dos demonstrativos financeiros.

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