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Adolfo Sachsida, um Bate Papo Com o Ex-Ministro Muito Gente Boa.

Os bastidores do crescimento: em bate-papo no CONAC, o ex-ministro Adolfo Sachsida destaca o impacto das “reformas silenciosas” e a importância do pragmatismo na política econômica brasileira

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Uma composição 3D realista, elegante e acolhedora, representando um diálogo intelectual sobre economia. Em primeiro plano, uma mesa de centro de madeira nobre com duas xícaras de café fumegantes de cerâmica escura e um exemplar em capa dura do livro "A Política Econômica Brasileira", sutilmente iluminado. Ao fundo, levemente desfocadas, grandes engrenagens metálicas polidas e interligadas giram suavemente de forma perfeitamente sincronizada, simbolizando as "reformas silenciosas" operando nos bastidores da máquina pública. A iluminação do ambiente é quente e focada, transmitindo a sensação de uma conversa acessível, respeitosa e construtiva. Estilo editorial, corporativo e hiper-realista. Alta resolução, proporção 16:9 (820x468).

Por ocasião do 46º CONAC, que foi realizado nos dias 13, 14 e 15 de maio/26 no Royal Palm Hall em Campinas – SP, tive a oportunidade de indicar o ex-ministro das Minas e Energia e chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia do governo Bolsonaro, Adolfo Sachsida, como palestrante.

Figura simples, acessível e que me proporcionou conversas muito prazerosas e úteis sobre o momento econômico do país. Adolfo não é o tipo de pessoa que fica num pedestal, é aberto ao diálogo e expõe suas ideias com respeito ao próximo e ao contraditório.

Descrevo aqui algumas de suas opiniões sobre a economia brasileira:

Sobre os desafios da retomada econômica brasileira.

Primeiramente há que se separar o que é urgente do que é importante. O urgente é o desafio fiscal, contendo o déficit público, e o importante, crescer com produtividade. Alinhar essas duas questões é fundamental.

Sobre onde estão as oportunidades.

No agronegócio, pois o Brasil é um dos mais importantes produtores de alimentos do mundo, em petróleo e gás, minerais críticos e transição energética. Contudo, um dos principais é a ampliação do mercado de crédito que no Brasil corresponde a 54% do PIB enquanto que mundialmente chega a 80%. Para isso, é importante melhorar os marcos legais inadequados de crédito.

Sobre como melhorar a previsibilidade nos negócios.

É preciso melhorar os marcos legais no país. Como exemplo, Adolfo cita que para introduzir uma grande loja no Brasil o empresário pode levar até 7 anos. É preciso melhorar a legislação.

Seu livro A Política Econômica Brasileira no Período 2019-2022 é um retrato fiel das marcas implementadas no governo. O que me chama atenção na obra são as reformas silenciosas que foram implementadas e que nem sempre são objeto de divulgação pela imprensa, mas que têm efeito extremamente positivo no ambiente de negócios no país. Dentre elas posso destacar:

  • Modernização da legislação trabalhista com modificações e revogações de 29 Normas Regulamentares de Saúde e Segurança no Trabalho, o que proporcionou maior desburocratização, aumento de transparência e de segurança nas relações trabalhistas, contribuindo para a modernização da legislação nessa área.
  • Reforma Administrativa com redução de quadros e digitalização, diminuindo o gasto público. Só para se ter ideia, em 2018 o gasto governamental com a folha de pagamentos foi equivalente a 4,3% do PIB, e em 2022 esse percentual recuou para 3,5%. Menor gasto, economia mais sólida.
  • Criação do Ministério da Economia, com fusão dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Trabalho e Emprego e o ministério da Previdência. Sob o controle do ministro Paulo Guedes, foi uma máquina de fazer reformas.
  • Reforma permanente de diversos tributos – Embora o governo não tenha logrado sucesso em fazer uma grande reforma tributária via projetos de lei, em seu lugar ocorreu uma verdadeira reforma silenciosa com melhorias incrementais nas legislações e redução permanente de tributos.
  • Redução do Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante, que era uma barreira à importação, o que reduzia a concorrência com produtos nacionais mais caros.
  • Reformas no mercado financeiro e de capitais, com desestatização do crédito e novos instrumentos financeiros.
  • O Recicla, que propiciou o estímulo para que as empresas adotassem a logística reversa sem elevação de custos.

Além das já citadas, muitas outras medidas contribuíram para que, ao final de 2022, fosse entregue ao novo governo uma economia administrável e com melhores fundamentos.

Para finalizar, destaco o seguinte trecho da parte final do livro, páginas 263 e 264:

“Respeitar o passado é uma lição importante. Quando se chega ao governo é natural que se chegue com um ímpeto reformista, muitas vezes com certo grau de arrogância, acreditando-se mais inteligente e honesto que mandatários anteriores. Cuidado! Construir leva tempo, mas medidas equivocadas têm impacto severo e rápido. Exatamente por isso é fundamental certo grau de ceticismo, certa habilidade para reconhecer que você não é tão inteligente assim. Melhor do que se aventurar em grandes saltos é caminhar a passos curtos e firmes na direção correta”

ECONOMISTA da ABAC, MESTRE em Finanças, PROFESSOR Universitário e membro do Comitê de Estudos Econômicos da ABAC - Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

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