Economia
A Intervenção Excessiva do Estado na Economia e a Invasão das Pítons-Birmanesas nos Everglades
Do pântano da Flórida às políticas públicas: como a interferência artificial do Estado sufoca o livre mercado e destrói o equilíbrio natural da economia
Um ecossistema é uma rede interdependente, onde cada ser vivo interage com os outros. Quando esse equilíbrio é alterado, o conjunto como um todo sofre as consequências. Um exemplo são os predadores que evitam a superpopulação de presas e a disponibilidade de recursos limita o crescimento populacional.
Catástrofe ecológica nos Estados Unidos, a invasão das pítons-birmanesas nos Everglades, na Flórida – Estima-se que mais de 300 mil dessas grandes serpentes habitam o pântano – está dizimando a fauna local. As serpentes foram introduzidas nos anos 70 e 80 por solturas acidentais ou irresponsáveis de animais de estimação, ou seja, a intervenção humana em um ecossistema alterou de forma significativa o equilíbrio entre suas conexões.
Na economia não é diferente, pois o Ecossistema Econômico tem características que, quando alteradas, acabam por prejudicar seu bom funcionamento, mesmo que a princípio a intervenção possa parecer benéfica.
Vamos aos exemplos! Em 1986 o Plano Cruzado prometia acabar com a inflação no Brasil, com o seu “congelamento de preços”. Ao querer alterar a lei da oferta e da procura o governo causou o sumiço dos produtos das prateleiras, incentivou o mercado negro e paralisou a produção local. Interferência artificial do ecossistema econômico.
Para quem gosta do socialismo, um exemplo foi a tentativa de Mao Tsé-Tung que tentou transformar a economia agrária em uma potência industrial de forma forçada, com a coletivização, o que resultou na maior fome da história humana, com estimativas de dezenas de milhões de mortes. Interferência artificial no ecossistema econômico.
Entre 2011 e 2014 a política de controle artificial das tarifas de energia elétrica e dos preços de combustíveis na Petrobras gerou forte desequilíbrio fiscal, afetando severamente a saúde financeira dessas empresas e agravando a crise econômica da época. Interferência artificial no ecossistema econômico.
Exemplo atual é o crédito subsidiado, que aparentemente é bom, mas prejudica o mercado financeiro, pois distorce a precificação de risco, eleva o custo dos empréstimos para o restante da economia e reduz a eficácia da política monetária. O crédito passa a depender de intervenções estatais. Interferência artificial no ecossistema econômico.
A manipulação da taxa de juros, que recebe fortes crítica da escola de Economia Austríaca, e com razão, pois muitos investidores aplicam em projetos cujos retornos se mostram vantajosos com a taxa manipulada, mas evaporam quando ela volta ao seu patamar real. Interferência artificial no ecossistema econômico.
Para finalizar, um exemplo de interferência que mostrou seus efeitos no longo prazo foi a política de aceleração de crescimento no Brasil por meio da indústria automobilística. Geradora rápida de investimentos e empregos, a indústria automobilística acelerou o modelo de transporte no país por meio de estradas, e consequentemente as ferrovias foram deixadas de lado. O efeito atual dessa política foi o que nos deixou dependentes de óleo diesel, o qual não somos autossuficientes na produção. Dependentes de importação, ficamos sujeitos às variações de preços quando há qualquer crise internacional, e o efeito é o aumento de preços em toda nossa cadeia produtiva, gerando inflação.
