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Aspectos do Trânsito nas Ruas da Índia e as Economias Livres

Do caos aparente à ordem espontânea: o que o trânsito frenético da Índia nos ensina sobre a eficácia do livre mercado e a teoria da “mão invisível”

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Uma ilustração 3D conceitual e dinâmica que une o trânsito indiano ao mercado financeiro. A cena mostra uma movimentada rua da Índia, vista ligeiramente de cima, com tuk-tuks, motos e carros fluindo de forma orgânica. Os rastros de luz deixados pelos veículos ao se movimentarem convergem e se transformam em setas douradas e brilhantes de gráficos financeiros ascendentes, simbolizando a "mão invisível" e a ordem espontânea surgindo do caos. Acima da rua, ícones holográficos sutis de engrenagens funcionando perfeitamente. A luz do entardecer cria uma atmosfera dourada, enérgica e otimista. Estilo hiper-realista, cinematográfico e editorial moderno. Alta resolução, proporção 16:9 (820x468)

Quando falamos em sistema econômico livre, temos que considerar que em seu funcionamento existe uma ordem espontânea.

Considerado o pai da economia moderna, Adam Smith descreveu como o mercado se autorregula, com o capital que flui para os setores mais rentáveis da economia, assim como o trabalho. Há uma desorganização aparente, mas o sistema funciona, contrariando a convicção de muitos economistas Keynesianos.

Fazendo analogia com o trânsito na índia, onde os motoristas disputam cada espaço nas ruas e vias do país, e uma economia livre, que depende de milhões de pessoas e empresas tomando decisões descentralizadas em seu próprio benefício, observamos pontos em comum. Dentre eles temos:

Mão invisível: segundo Smith, o mercado se autorregula, pois os indivíduos agindo apenas em seu próprio benefício acabam por promover o bem-estar da sociedade como um todo ao equilibrar oferta e demanda, sem necessidade de intervenção governamental. No trânsito indiano ocorre algo semelhante, pois, de acordo com o instinto de sobrevivência e eficiência coletiva, se alguém parar no meio da rua todo o sistema entra em colapso, ou seja, há uma ordem natural entre os motoristas.

Adam Smith pondera que não é a bondade do padeiro que traz a oferta de pão para a sociedade, mas sim de seu interesse pelo lucro. Da mesma forma, não é pela bondade do motorista que ele reduz a velocidade para outro veículo passar, mas sim de um controle próprio para evitar uma colisão que o prejudicaria, e isso acaba por beneficiar todo o trânsito.

Evidentemente que, mesmo um economista ultraliberal como Friedrich Hayek reconhece que deve haver regulações mínimas em aspectos gerais da economia, de modo que todos tenham igualdade de direitos e obrigações. Em seu livro “O Caminho da Servidão”, Hayek exemplifica que leis gerais são como leis de trânsito. Por exemplo, pode-se determinar que em uma via pública os veículos tenham obrigatoriamente que tomar apenas uma direção, a fim de evitar acidentes que poderiam prejudicar a todos, contudo, os motoristas, respeitando essa mínima lei, são livres para se dirigir ao destino que quiserem.

Na economia é a mesma coisa. O governo pode definir, por exemplo, que um produto alimentício tenha que seguir normas mínimas de segurança e higiene que todos os produtores devem seguir a fim de não prejudicar os consumidores. Mas, a partir daí, todos são livres para produzir o que quiserem.

Oferta e Demanda por Espaço: Os veículos se movem para os espaços abertos, procurando o melhor deslocamento, da mesma forma capital e o trabalho fluem para os setores mais rentáveis e eficientes da economia.

Caos e Eficiência: aparentemente desorganizados, os motoristas conseguem se deslocar da maneira mais rápida possível, assim como a economia, que consegue otimizar seus resultados sem que a burocracia governamental dite o que cada indivíduo ou empresa deva fazer. Sim, há limites para ambos, pois no trânsito as leis básicas devem ser ditadas para que se diminuam os acidentes, e na economia a ausência de regulações mínimas pode levar a monopólios ou externalidades negativas, como por exemplo a poluição. Feitas essas ressalvas, uma economia livre e com mínima interferência governamental, sem dúvida, é o caminho que promove o desenvolvimento e a melhora das condições de vida dos povos.

ECONOMISTA da ABAC, MESTRE em Finanças, PROFESSOR Universitário e membro do Comitê de Estudos Econômicos da ABAC - Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

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