Consórcio
ABAC Avalia Possível Desempenho Do Sistema De Consórcios Em 2027
Apesar das incertezas fiscais e previsões de desaceleração econômica para 2027, o setor de consórcios confia em sua resiliência histórica e na educação financeira dos brasileiros para manter a trajetória de crescimento
Desde setembro de 1962, o Sistema de Consórcios, uma criação genuinamente brasileira, vem realizando e concretizando sonhos de consumidores.
Ao longo de sua história, verifica-se que esse mecanismo de autofinanciamento possui forte resiliência. Atravessou planos econômicos, recessões, troca de moedas, entre tantos eventos registrados na vida econômica do país, sempre mantendo firme sua trajetória.
Nos últimos anos, o crescimento tem sido constante, como demonstram as quebras de recordes na comercialização de cotas e consequente marcas inéditas de participantes ativos.
“Afirmar que estamos imunes a crises não seria necessariamente verdade”, comenta Luiz Antonio Barbagallo, economista da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), “porém, o segmento já demonstrou ter capacidade de enfrentar oscilações e mostrar rápida recuperação, diferentemente de outros setores da economia”.
Observando o gráfico de percentuais de comportamento de vendas de cotas e da evolução da taxa Selic, relativo ao período de 2005 a 2025, Barbagallo afirma sua certeza na força do consórcio no cenário econômico nacional. “É possível verificar que ao longo dos últimos 20 anos, incluindo 2026, o Sistema só teve decréscimos em quatro. Em doze anos, o crescimento ficou acima de 5%, correspondendo a 60% do período. Em dez desses anos, o avanço superou 6%, representando 50% do ciclo analisado, enquanto em cinco anos o crescimento ultrapassou 10%, equivalente a 25% do período mencionado.

Por outro lado, ao observar os quatro anos de queda nas adesões, o economista salientou que, “especificamente entre 2013 e 2016, houve uma recessão econômica brutal, com desemprego, queda na renda dos consumidores e taxas de juros similares aos níveis atuais, como os 14,03% em 2016, ano em que o desempenho foi negativo em (4,3%). Somente este fato desmistifica a crença de que se vende muito consórcio quando a taxa Selic está alta”.
Barbagallo resume ao lembrar que “as principais influências observadas nos desempenhos negativos na procura pela modalidade foram a renda e o nível de emprego, dois indicadores adversos à época”.
Ao esboçar uma interpretação sobre as expectativas para 2027, o economista, à luz dessa análise, ponderou que “fazer um diagnóstico mais real só será possível a partir da definição das eleições do futuro presidente, considerando o que ele irá encontrar, e quais medidas poderá tomar para corrigir e alinhar a rota econômica”.
Ao traçar algumas conjunturas possíveis para os próximos anos, Barbagallo partiu do reconhecimento de que o país atravessa grande déficit fiscal e comentou que “independente da linha econômica para o próximo eleito, via mercado ou via maior intervenção governamental, o problema fiscal precisará ser enfrentado. Déficit se corrige com redução de gastos e aumento de impostos, o que desaceleraria a economia e permitiria redução nas taxas de juros”.
Considerando a informação divulgada pelo boletim Focus, do Banco Central do Brasil, que projeta a taxa Selic em 12% até o final de 2027, o economista afirma que “a curto prazo, pouca coisa mudará nesse quesito. Todavia, em paralelo, há projeção de tímido crescimento da economia, da ordem de 1,5%, que poderá impactar o consórcio, visto que baixo crescimento pode vir a deprimir a renda e reduzir o nível de emprego, acrescidos de previsões ainda inferiores”.
Periodicamente, a ABAC tem divulgado seu Índice de Confiança do Sistema de Consórcios – ICSC, que, desde seu início em maio de 2024, não havida ficado abaixo dos 60 pontos. Pela primeira vez, em junho deste ano, ao atingir 53,8 pontos, as percepções dos executivos do segmento consorcial projetaram resultados de desaceleração para a economia do país.

“Não acreditamos em uma recessão brutal para 2027”, conclui Barbagallo, “mas sim uma continuidade da gradativa desaceleração que poderá tornar os números do Sistema um pouco mais modestos. Somente a partir do final de outubro será possível trabalhar com o novo cenário e estimar taxas de crescimento de cada um dos seis segmentos do consórcio para o ano que vem”.
Com ponderação, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, diz que “ainda, independentemente do cenário, acreditamos que o consumidor, mais consciente sobre educação financeira, continuará analisando, avaliando e investindo em seu futuro, pois toda crise passa. Aliás, momentos já vivenciados anteriormente atestam essa conclusão”.
Rossi reforça exemplificando que no período de 2020 e 2021, “mesmo paralisados por uma pandemia mundial, os consorciados entenderam que o futuro estava logo ali e decidiram continuar a aderir ao Sistema, registrando quebras de recordes consecutivos até os dias atuais”.
Os dados dos oito primeiros meses do ano apontaram 3,82 milhões de cotas comercializadas com R$ 389,59 bilhões em negócios realizados. No período, foram concedidos R$ 85,72 bilhões em créditos para aquisição de bens, com a contemplação de 1,18 milhão de consorciados potenciais consumidores do mercado interno. Também os participantes ativos cresceram e alcançaram 13,55 milhões em julho.
