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A Racionalidade Matemática Versus a Cautela

Por que a matemática nem sempre é a melhor resposta na hora de decidir entre quitar dívidas ou manter sua reserva financeira

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Fotografia profissional de uma pessoa com expressão pensativa, analisando planilhas financeiras e uma calculadora sobre uma mesa. Em uma das mãos, segura algumas moedas e, na outra, uma miniatura de casa ou carro. O ambiente claro e iluminado transmite a ideia de reflexão cuidadosa sobre escolhas e estratégias financeiras, ilustrando o dilema entre quitar dívidas ou manter uma reserva de emergência.

Quitar um financiamento ou deixar o dinheiro da sua reserva aplicado? À primeira vista a resposta é simples e sempre indicada pelos educadores financeiros de plantão: “Quite a dívida”.

Matematicamente a resposta é fundamentada na simples comparação das taxas de juros envolvidas na aplicação e no financiamento, e, obviamente as do financiamento são, na esmagadora maioria das vezes, maiores do que as que conseguimos de rendimento na aplicação. Trata-se do conhecido “custo de oportunidade”, quando o ato de deixar de fazer algo ocasiona a perda de uma vantagem financeira, caso você tivesse feito esse algo.

Mas eu incluo nessa equação um outro custo, o da incerteza. Caso eu quite um financiamento porque o recurso que tenho na minha reserva rende uma taxa de juros menor do que o custo dele, poderei ficar vulnerável para outras situações que podem se apresentar.

Digamos que eu sofra um acidente e tenha que desembolsar recursos de que não disponho mais, pois quitei o financiamento. Certamente terei que recorrer a empréstimos que terão taxas elevadas, ou seja, o componente “incerteza” se tornou realidade, e o ganho obtido na antecipação não compensou o custo que terei agora.

Em uma outra situação, aquela oportunidade de negócio da china que você sempre sonhou apareceu, só que agora você não tem mais o dinheiro para aproveitá-lo, pois usou para quitar seu financiamento.

Administrar a vida financeira envolve escolhas e tomadas de decisão que não se resumem a comparar apenas duas variáveis (custo de uma e custo da outra). A realidade de cada um envolve diversos fatores que precisam ser analisados em conjunto, ou seja, o que serve para mim pode não servir para você. Pense nisso antes de seguir o primeiro conselho que ouvir de um educador financeiro.

ECONOMISTA da ABAC, MESTRE em Finanças, PROFESSOR Universitário e membro do Comitê de Estudos Econômicos da ABAC - Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.

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